[off-topic] Criando Macros no PL/SQL Developer 7.1.5.1398

Novembro 6, 2009

Lá vai uma dicazinha para DBAs Oracle.  Algo para o dia-a-dia…  Isso me auxilia muito e aumenta a produtividade/velocidade na hora de editar aqueles scripts gigantescos que necessitam ser submetidos no banco.  É uma maneira de digitar menos, evitar erros e ganhar tempo.  Vamos lá!

1 – Abrir o PL/SQL Developer, em seguida,  e clicar em File > New > SQL Window.  Para começar a gravação de uma nova macro basta clicar no botão “Macro Record (F11)”, ou via menu, Tools > Macro > Record F11.  Lembrando que se os botões das macros não estiverem ativos, pode-se exibí-los através do menu Tools > Preferences e, em seguida ir para a opção Toolbar.  Ali aparecem os botões disponíveis e os que estão sendo usados na barra de botões do PL/SQL Developer.  Basta então selecioná-los na lista e jogar para a direita, em seguida, confirmar, clicando em OK.  Mas, voltando…  Já que estamos com uma nova janela SQL Window aberta no PL/SQL Developer e clicamos no botão “Macro Record (F11)”, podemos então digitar o comando (texto) que desejamos salvar como sendo nossa primeira macro.  Digitemos então (como na figura abaixo – observe que no botão de gravação da macro ficar estará piscando uma luzinha vermelha, indicando que o modo de gravação está ativo e tudo que for feito – todas as ações executadas no PL/SQL Developer nesse momento estarão sendo gravadas):

plsql1

(1 – clicar no botão de gravar macro;      2 – digitar o texto na janela SQL Window que será utilizado mais tarde.)

2 – Após digitarmos o texto padrão que passará a ser usado, podemos clicar no botão “Macro Library” (terceiro botão da barra de botões de macros).  Esse botão nos possibilita criar uma entrada de menu para a nova macro.  Ao clicar nele, a caixa “Macro Library” será aberta.  Nesta caixa, clicaremos no primeiro botão à direita – New.  Observe que uma entrada “New” é criada na listagem de macros.  Esse será o nome que irá aparecer no menu de macros e é também o nome que estamos dando a nossa nova macro.  No campo “Description” colocaremos o nome para essa nova macro de “SINÔNIMOS PÚBLICOS” e além disso, marcaremos a opção “Add to menu”.  Certifique-se ainda de que a opção “Macros as main menu item” esteja selecionada (como na figura abaixo).   Em seguida, “OK” para finalizar essa etapa.  Vejamos:

plsql2

3 – Ao clicar em OK na janela abaixo após seguir todos os passos, o PL/SQL Developer já salvou a macro.  E o menu macro estará disponível, com a nova macro criada.   Você pode testá-la, ou seja, basta clicar no menu e no nome da macro criada, imediatamente, o comando que foi salvo aparecerá na janela do SQL Window no PL/SQL Developer.  Sendo assim, daqui pra frente você não mais precisará repetir o mesmo comando várias vezes.  Bastará selecionar a macro desejada.  Note:

plsql3

4 – Mas, não acabamos por aí.  Convenhamos que criar uma macro para todas as vezes que deseja utilizá-la ter que acessar o menu não é tão produtivo assim.  Por isso, iremos associá-la a teclas de atalho, ou seja, todas às vezes que desejemos utilizá-la, bastará usar a combinação de teclas de atalho do teclado que nós tenhamos definido.  Para isso, façamos:    a) Vá ao menu Tools > Preferences;     b) Selecione a opção “Key Configuration”;     c) Note que todos os atalhos de teclas para menus são definidos aqui nessa opção.  Sendo assim, role a barra de rolagem até encontrar (à direita) a opção “Macro / SINÔNIMOS PÚBLICOS”;     d) Clique nessa opção e em seguida pressione simultâneamente no teclado as teclas de atalhos desejadas para serem gravadas e associadas a nossa macro.  Nesse exemplo eu user “Shift + Ctrl + Alt + X”.  Em seguida, basta clicar em “OK”.  Vejamos:

plsql4

5 – Pronto!  Acabamos de criar nossa primeira macro e associá-la a uma combinação de teclas do teclado.  A partir daqui, todas as vezes que desejarmos inserir o texto “CREATE PUBLIC SYNONYM    FOR   ;”  em um de nossos scripts, bastará utilizar as teclas “Shift + Ctrl + Alt + X” simultâneamente.  Muito simples e prático!  É isso!  Bom trabalho!

plsql5

[]s

Marinho (jmarinhojr@gmail.com)


Caju na Laranja

Outubro 28, 2009

Há algum tempo atrás, conversando com um amigo a respeito de diversos temas do quotidiano, adentramos à velha mania brasileira – a tal: obter vantagem em tudo.  Isso não se vê apenas nas grandes esferas do poder público – como tanto tendenciamos ou notamos diariamente nos noticiários.  Não!  Diria até que a “mania de tirar vantagem da máquina pública”, da qual lançam mão nossos mais ilustres políticos (principalmente), é conseqüência, é reflexo das “menores manias de tirar vantagem em tudo”; ou seja, aquela que é uma questão cultural, educacional e que já encontra-se (infelizmente) enraizada na maior parte da população brasileira (permeando todas as classes).  Então, analisando por esse prisma, posso concluir que a magnitude, nesse caso, é mero detalhe(…)

Bom, que tal analisar os dados pontualmente?

Eu já vi de tudo (nesse quesito).  Vi gente guardando o troco no ônibus bem rapidinho e depois comentando, como se fosse algo a ser louvado: “O cobrador me deu o troco errado!  Ganhei dois reais!”  Outrora: “O portuga se deu mal hoje, pedi quatro pãezinhos e ele colocou seis, só que paguei apenas pelos quatro que pedi.  Ahahahaha!  O portuga se deu mal.”  Ou então, rindo da pobre moça do caixa: “ela esqueceu de registrar o leite, beleza!”

Meu Deus?!  Onde estamos?!

Certa vez, na faculdade, um professor vendeu suas apostilas de matemática financeira para todos os alunos da turma.  Eram mais ou menos uns sessenta alunos.  Muitos deixaram para pagar a apostila (que na época custou dois reais) na semana seguinte.  Um belo dia, passadas já quase três semanas, o tal professor me salta com a célebre frase: “Gente, eu não vou ficar cobrando de quem não pagou, até por que dois reais não irão me fazer nem mais rico nem mais pobre…”

Como assim professor?  Ora, ora, ora… o raciocínio continua errado.  Dá margem para duas linhas de pensamento e atitude muito inverossímeis.  A primeira é: “Já que são apenas dois reais, não há problema!  Posso dar calote.”  E a segunda, que em meu ponto de vista foi a maior falha e infelicidade na frase de meu incauto mestre naquele momento, é a que leva a pensar: “Ah, dar calote de dois reais?  Fala sério!  Sujar as mãos por pouco?  Não vale à pena.  Queria que fossem dois milhões…”

Meus pais sempre me orientaram a não lançar mão da propriedade alheia.  Isso eu guardo comigo desde então.  Além disso, a experiência diária e o convívio com outras pessoas, outros colegas, só me fazem firmar, reforçar mais ainda meu posicionamento.

Já não é a primeira vez, mas hoje eu fiz mais uma vez o teste e, após o almoço, refleti bastante sobre esse assunto.  Daí surgiu a vontade de registrar, então, resolvi escrever.

Há um restaurante bacaninha aqui ao lado do meu trabalho.  Com um nome curioso e que chega a ter um ar saudosista.  Remete-me as longínquas décadas cariocas onde andar pelas calçadas de pedra-sabão do centro do Rio de Janeiro era bem mais tranqüilo e eloqüente.

Como de praxe, sentei-me em um dos bancos do balcão do “Onde Canta o Sabiá”.  Pedi o cardápio e sem mais delongas optei pelo churrasco misto com salada, arroz e feijão mulatinho.  Quase na metade de minha refeição, o pedido de um cliente aguçou minha curiosidade: “Sai dois cajus na laranja, por favor.”  Confesso que nunca havia provado.  Continuei meu almoço e ao findar, não resisti e requisitei o mesmo: “Um caju na laranja, por favor.  Pouco gelo e adoçante.”  Prevendo o que aconteceria (como já houve outras vezes), fiquei a pensar e conversar com minha consciência: “Quer ver como a garçonete do balcão vai esquecer de anotar na comanda o pedido do suco?  Quer ver?”

Não deu outra!  Bingo!  Terminei meu suco e antes de levantar-me, chamei-a: “Srta., por favor.  A outra moça esqueceu de anotar aqui na comanda.  Eu pedi um caju na laranja.  Poderia marcá-lo por favor?”

Dirigi-me ao caixa e paguei a conta, sabendo que estava fazendo apenas o correto, sem merecer mérito algum por isso.  Mas, me pergunto: “Quantos demais ilustres clientes agem da mesma forma?  Agem corretamente, sem lesar, sem dolo da outra parte?  Quantos?”  Voltei ao trabalho já com a idéia firmada de  escrever a respeito, pois, é um paralelo que traço com a (na maioria das vezes) “maldita mania brasileira de querer sempre se dar bem”.

*   *   *

Por curiosidade, bem antes de sair para o almoço supracitado, estava eu em meu trabalho a executar uma tarefa aqui, outra acolá…  Dei um pulinho na Internet, logo após ouvir algumas notícias no rádio, pois, por associação, me lembrei de um dos célebres nomes de nossa política.  Um tal do senado federal.  Perguntei-me: “Que fim levou?  Não mais a imprensa fala sobre o Dito Cujo.  Calaram-se como de costume?!  Acho que já venderam jornais e revistas suficientes.  Agora, precisam de um novo escândalo para dar IBOPE.”

E, outro questionamento que me faço: “Por que – visto que eles (nossos políticos) são sempre inocentes – surgem tantos escândalos envolvendo seus nomes? Por quê?”  Acho que caíram naquela segunda linha de raciocínio (a mais perigosa) que meu professor na faculdade, com tão infeliz comentário ilustrou: “Já que isso aqui é bem mais de dois milhões de reais…  Hummmm!  Vale à pena meter a mão!”

Mas esperem!  Por favor!  Eu creio com todas as forças!  Uma pessoa jamais teria a petulância de dizer: “possuo a obstinada decisão de não cometer erros, de jamais aceitar qualquer arranhão nos procedimentos éticos que devem nortear minha conduta.” E agir na contra-mão de seu proposto moral.  Duvido!  Tanto mais um senador da República Federativa do Brasil.  Duvido!

Eu creio nisso!  Creio que nossos políticos, nossos grandes empresários, nossos magistrados e tantos outros, professam a verdadeira fé em tais princípios e jamais maculariam suas consciências ou a do povo com desvios “grandes” ou “pequenos” que forem, com o único intuito de desfrutarem a seu bel prazer das regalias que tais cargos possam (só por tentação) oferecer(…)

Há outras manias muito conhecidas de todos nós: “jeitinho brasileiro”, “primeiro eu”, “brasa na minha sardinha”, “farinha pouca, meu pirão primeiro”, “furar a fila” etc.  Mas… isso é assunto para outro dia… outro almoço… outra conta… outro texto…

Forte abraço,

Marinho

28-10-2009


Situação do RJ

Outubro 21, 2009

Essa charge transcreve o que está acontecendo.  Gostei muito.  Ta aí!


O mito de Er e a Reencarnação

Setembro 16, 2009

O Mito de Er e a Reencarnação

Em A República, Platão desenvolve uma teoria que já fora esboçada no Mênon: a teoria da reminiscência. Nascemos com a razão e as idéias verdadeiras, e a Filosofia nada mais faz do que nos relembrar essas idéias.

Platão é um grande escritor e usa em seus escritos um procedimento literário que o auxilia a expor as teorias muito difíceis. Assim, para explicar a teoria da reminiscência, narra o mito de Er.

O pastor Er, da região da Panfília, morreu e foi levado para o Reino dos Mortos. Ali chegando, encontra as almas dos heróis gregos, de governantes, de artistas, de seus antepassados e amigos. Ali, as almas contemplam a verdade e possuem o conhecimento verdadeiro.Er fica sabendo que todas as almas renascem em outras vidas para se purificarem de seus erros passados até que não precisem mais voltar à Terra, permanecendo na eternidade. Antes de voltar ao nosso mundo, as almas podem escolher a nova vida que terão. Algumas escolhem a vida de rei, outras de guerreiro, outras de comerciante rico, outras de artista, de sábio. No caminho de retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre um rio, o Lethé (que, em grego, quer dizer esquecimento), e bebem de suas águas. As que bebem muito esquecem toda a verdade que contemplaram; as bebem pouco quase não se esquecem do que conheceram.As que escolheram vidas de rei, de guerreiro ou de comerciante rico são as que mais bebem das águas do esquecimento; as que escolheram a sabedoria são as que menos bebem. Assim, as primeiras dificilmente (talvez nunca) se lembrarão, na nova vida, da verdade que conheceram, enquanto as outras serão capazes de lembrar e ter sabedoria, usando a razão.

O texto acima foi retirado do livro “Convite à Filosofia”, de Marilena Chauí, Editora Ática, 1999, 12ª Edição, página 70. Platão nos mostra uma realidade muito próxima do espiritismo ou melhor dizendo do espiritualismo.Platão e Sócrates são citados na Obra de Kardec como precursores do Cristianismo e do Espiritismo. O Mundo Platônico ou o Mundo das Idéias é muito próximo do que o espiritualista chama de mundo astral, com certeza Platão teve contato com estas idéias, estes valores e outras culturas além da grega. E tudo isso em torno de 400 anos antes de Cristo.

No mito da Caverna, Platão também nos remete a idéia de uma mundo limitado (material) e um mundo ilimitado ou maior (Mundo das Idéias, o mundo não material ou será um mundo espiritual).Coloco abaixo, mais uma vez o Mito da Caverna, desta vez nas palavras de Marilena Chauí, extraído do mesmo livro citado, página 40 :


O mito da caverna

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.

A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.

Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna.

Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.

Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.

Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.

O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.

São textos para pensar e refletir, afinal é para isso, também, que serve a filosofia. Já se passaram 2.400 anos e continuamos pensando sobre os escritos de Platão.

[Repositório do Marinho - texto muito bom]